terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Sobre os testes de personalidade


  Dá pra definir quem somos com base em algumas palavras?
  Outro dia, num momento de ócio total e com internet à minha frente (combinação explosiva!), comecei a fazer um desses testes de personalidade em algum site. A primeira pergunta era mais ou menos assim: “Em qual desses grupos de adjetivos você se encaixa melhor:
         a)      Agitado, criativo, aventureiro.
         b)      Poético, sensível, romântico.
         c)   Determinado, racional e prático. "
        Fique perdida. Minha mãe sempre fala que sou criativa. Mas também me acho sensível. E muitos amigos me consideram bem racional. E aí? Que alternativa escolher?
  Fiquei pensando. É engraçada essa nossa mania de definir o jeito de ser, o nosso e o dos outros, com algumas palavras. Se nossa personalidade fosse a mesma sempre, nosso comportamento seria bem previsível, né? Imagina: se uma amiga sua agisse de forma egoísta na hora de dividir um bombom, ela também seria egoísta na hora de viajar, de fazer um trabalho em grupo. Afinal, “egoísta” está escrito na testa dela e, pensando bem, você nem ia querer tê-la como  amiga, certo? A não ser que “boba” estivesse escrito na SUA testa. Mas a nossa personalidade é bem mais complexa que isso.
  Essa sua amiga que é egoísta para dividir doces pode ser uma ótima colega de trabalho em grupo. E (sem ofensas!) você pode ser boba para algumas coisas e bem esperta em outras. Tenho uma amiga que acho muito engraçada. Mas, quando conheci um cara que trabalhava com ela, constatei que nós a descrevíamos de maneiras opstas: é que, no trabalho ela era superséria! Por isso, acho que faz mais sentido nos caracterizarmos não baseados nos adjetios, mas das situações: nas ocasiões tais, a pessoa costuma agir de tal maneira (costuma!). Em vez de: fulano é assim.
  Isso evita muita injustiça. Porque, se a gente acha que os outros são tão simples a ponto de encaixá-los em uma lista de itens, a tendência é rotulá-los. E, aí vamos achar que aquela garota é tagarela na escola não vai ficar quieta no cinema, e por isso nunca a convidamos para um filme, e nunca seremos amigas dela, e nunca seremos felizes! Ok, exagerei, mas você entendeu. 
  Para complicar ainda mais, você pode ser egoísta/tolerante/melancólica/etc. em algumas fases e, em outras, não ser. Aliás, nem precisa ser fase, mas hora do dia: sua amiga que odeia dividir doce pode estar a fim de te dar um pudim amanhã! Sem contar as tan, tan, tan, taaan... MUDANÇAS DA VIDA.
  Você pode ter sido uma exemplar pessoa X e, agora ser uma adorável Y. Claro, aquela sua tia vai jogar na sua cara seu passado X, mas fazer o quê? Quem muda (ou seja, todo mundo) lida com isso: essa resistência ao nosso novo eu.
  Bom, depois de viajar tanto sobre essas questões (vocês sabem como eu viajo!), desisti do teste e saí do pc. É impossível definir minha dinâmica personalidade respondendo a dez perguntas, e eu não estava nem um pouco a fim de perder tempo com isso.
  Ah, posso falar a verdade?
  Respondi letra C, fiz o teste ate o fim e fiquei superfeliz quando vi o resultado, um diagnostico de quem eu sou. E me identifiquei, mesmo sabendo que não sou daquele jeito sempre. Quem disse que teste é pra ser tão levado a sério? Teste é sempre meio de brincadeira, meio de verdade. E eu me divirto muito com eles.
(Liliane Prata)


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